Chamada de artigos: “Hölderlin, Hegel e as dissonâncias da filosofia”

Friedrich Hölderlin está entre os clássicos da cultura ocidental, constituindo-se em torno de sua figura uma vasta recepção com impacto decisivo já a partir da primeira metade do século XX. Apoiados nos precursores trabalhos filológicos de Norbert von Hellingrath, contribuições de Walter Benjamin, Martin Heidegger, Peter Szondi, Theodor Adorno, Maurice Blanchot e Jean Beaufret enalteceram cada um à sua maneira a riqueza de Hölderlin para o pensamento contemporâneo.

Com menos estrépito e de maneira mais sistemática,a partir dos anos 1960, começa-se, no entanto, um esforço por realçar a importância filosófica da obra e da figura de Hölderlin  para a gênese e a compreensão dos seus próprios contemporâneos. Embora já em 1917/18 Ernst Cassirer colocasse o poeta numa posição filosófica de destaque no Idealismo Alemão, é somente a partir da descoberta do fragmento Juízo e Ser (1795), editado por Beissner em 1961, que a figura do filósofo Hölderlin reorganiza o modo de compreender a filosofia alemã clássica em geral e o desenvolvimento do pensamento do jovem Hegel em particular. Diversos intérpretes vão passar a explorar a premissa de que seria a partir do contato com o chamado círculo de Homburg que Hegel daria os passos decisivos para transitar do paradigma kantiano para uma Vereinigungsphilosophie.

Esta premissa vai ser sustentada sobretudo a partir do desenvolvimento do programa que ficará conhecido como pesquisa constelacional (Konstellationsforschung), que contará com autores como Dieter Henrich, Hannelore Hegel, Otto Pöggeler, Christoph Jamme, Violetta Waibel, entre outros. A partir de um amplo espectro histórico-filosófico, esta linha interpretativa busca abarcar os feitos de uma geração situada entre a Crítica da Razão Pura e a Fenomenologia do Espírito, subdividindo a investigação entre constelações teóricas e agrupamentos de poetas, filósofos, políticos e artistas que mantiveram interlocução pessoal e intelectual, e o fizeram tanto na esfera pública por meio das diversas revistas políticas, científicas e literárias que circularam nos principais estados e cidades que compunham a então Alemanha, como na esfera privada em cartas e conversas.

Todo o aparato crítico e as novas datações que acompanham a recente publicação dos textos hegelianos – escritos precisamente à época do chamado círculo de Homburg – no volume Frühe Schriften II da Hegel Historisch-Kritische Ausgabe; em igual medida, a publicação das edições críticas das obras de Fichte e Schelling; mas também a publicação de monografias sobre e inéditos de autores como Jakob Zwilling,  Isaac von Sinclair, i.a., antes praticamente desconhecidos, convidam a um esforço de compendiar a repercussão da obra e da figura de Höderlin na filosofia clássica alemã. A intenção deste dossiê é dar voz às diversas linhas de leitura de Hölderlin, sua relação com a filosofia clássica alemã em geral e com a filosofia hegeliana em particular.

 

Prazo final para recebimento dos artigos: 31 de julho de 2020.

A publicação é prevista para o segundo semestre de 2020.

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