Urtier, Urpflanze, Urphänomen: a contribuição de Goethe para as ciências naturais e para a filosofia
Resumo
Buscamos neste artigo apresentar o desenvolvimento e o nexo interno das três mais importantes ideias das pesquisas científicas de Goethe: Urtier, Urpflanze e Urphänomen. Nosso objetivo é contribuir para o entendimento filosófico do papel de Goethe na configuração e organização do espírito de contradição através do qual Goethe e Herder buscaram chacoalhar até aos fundamentos o cenário intelectual do fim do século XVIII nos ainda não muito modernos estados alemães. Goethe pretende haver superado de maneira cuidadosa Camper e os fixistas na zoologia, Lineu na Botânica e Newton na Ótica. Não são feitos de pouca monta. Por meio deles Goethe abriu portas e janelas para um novo conceito de história natural – um conceito verdadeiramente histórico – não mais aprisionado dentro do princípio da continuidade leibniziano: um conceito para o qual o tempo e a experimentação (sem antecipação) realmente importam. Nesse sentido, não será difícil observar, ou pelo menos sugerir, os muitos modos em que os trabalhos científicos de Goethe podem ter tido um papel central na configuração dos insights hegelianos sobre natureza e história.
Palavras-chave
morfologia, experiência, ideia, natureza
Biografia do Autor
Fábio Mascarenhas Nolasco
Graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado em Filosofia pela Unicamp. Professor adjunto da Universidade de Brasília
Gabriel Valladão Silva
Graduação e mestrado em Filosofia pela Unicamp. Doutorado em filosofia pela Technisches Universität Berlin.