A bela alma entre o dever e a efetividade: a leitura hegeliana de Ifigênia em Táuride
Resumo
O presente artigo examina a personagem Ifigênia na obra Ifigênia em Táuris de Goethe, propondo que o desenlace da trama, ao recorrer à memória das leis de hospitalidade (xênia) da Grécia antiga, oferece um modelo de reconciliação (Versöhnung) da bela alma (schöne Seele) para a Fenomenologia do Espírito de Hegel. Em contraste com a tragédia clássica, a reconciliação em Goethe se exprime pela afirmação da unidade entre os indivíduos e os desígnios divinos, evocando o código de hospitalidade enquanto reconciliação, exemplificando a possibilidade de suprassumir (Aufheben) a cisão entre o dever moral e sua efetividade. Para tanto, é essencial analisar a interpretação de Walter Kaufmann sobre as semelhanças entre a Ifigênia de Goethe e a figura de Jesus em O Espírito do Cristianismo de Hegel, a fim de investigar em que medida a comparação proposta por Kaufmann se sustenta. Argumentamos que, embora existam elementos de continuidade, a reconciliação, que se revela impraticável na figura de Jesus, se concretiza apenas na Fenomenologia, por meio do expediente da contemplação mnemônica no mundo da cultura (Bildung).
Palavras-chave
Bela Alma, Goethe, Hegel, Ifigênia, Reconciliação
Biografia do Autor
William Paniccia Loureiro Junior
Licenciou-se em Filosofia em 2015 pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente é doutorando na área de filosofia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), sob orientação do Prof. Dr. Sílvio Rosa Filho. Concluiu, também pelo Programa de Pós Graduação em Filosofia da UNIFESP, em 2019, o mestrado, atuando principalmente nos seguintes temas: Filosofia do Direito de Hegel e Tragédia e Dialética em Hegel. Vinculado ao Grupo de Estudos: Filosofia, Literatura e Sociedade da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). É, desde 2022, graduando em Letras (habilitação grego-português) pela Universidade de São Paulo (USP).