Chamada de artigos: "A filosofia política de Hegel: novos rumos"

Não foi apenas uma vez que as obras políticas de Hegel – sobretudo as da dita «maturidade» como as Linhas Fundamentais da Filosofia do Direito – foram tratadas pela tradição filosófica como um «cachorro morto». Em tempos mais recentes, no entanto, e certamente como resultado da edição crítico-filológica dos seus textos (com destaque aos vários Vorlesungsnachriften), uma vigorosa produção bibliográfica nos permite acreditar que esse quadro se transformou profundamente: A pergunta «Back to Hegel?», parece estar de fato na ordem do dia.

 

Se o interesse pela obra política de Hegel parecia antes praticamente confinado à Hegel-Forschung ou preservado por meio de interpretações baseadas em «fases», buscando resguardar um «jovem Hegel» de uma suposta ideia hipertrofiada de Estado do «Hegel maduro», há cerca de duas décadas o interesse por Hegel não apenas se espraiou por diferentes tradições filosóficas — como o pragmatismo, o republicanismo e as últimas gerações da teoria crítica —, como também transbordou para diferentes disciplinas: Há hoje textos de economistas, sociólogos, psicólogos, historiadores, juristas e antropólogos que buscam interpelar a filosofia hegeliana para encontrar recursos conceituais e perspectivas para se pensar criticamente o tempo presente.

 

Não nos parece exagero julgar que a filosofia política hegeliana readquiriu uma importância que talvez só encontra paralelo na primeira metade do século XIX, quando os assim chamados jovens e velhos hegelianos disputavam o seu legado – mas agora sem o ônus de temas caros a esse período, como a suposta reabilitação por parte de Hegel da metafísica pré-crítica, o suposto horizonte político ligado ao Estado prussiano ou o debate em torno da superação da religião e da própria filosofia. As interpretações contemporâneas da filosofia hegeliana parecem assinalar uma mudança paradigmática que privilegia o que há de inquietante, profícuo e aberto no pensamento político de Hegel, como p. ex. o caráter quase aporético dado por ele à dinâmica da sociedade civil-burguesa, a noção de liberdade social em que a individualidade não é sacrificada em favor de uma ideia de um todo ou as reinterpretações de sua filosofia da história pensada sem determinismos.

 

É precisamente no intuito de expressar, compreender e problematizar esse novo momento da leitura da filosofia política hegeliana que convidamos todos e todas a enviarem artigos para a Revista de Eletrônica de Estudos Hegelianos até o dia 30 de Julho de 2018. A seguir compartilhamos uma lista (não exclusiva) de temas:

 

 

  • A ideia hegeliana do Estado ético e a crítica da realidade política;
  • História da liberdade e história do direito;
  • Hegel e as teorias da representação política e da soberania modernas;
  • Hegel entre Sturm und Drang e Saint-Simon;
  • Os hegelianismos, a questão social e política no pré-1848;
  • Hegel, Marx e a tradição dialética
  • A filosofia política de Hegel e o pragmatismo;
  • Liberdade social, republicanismo, comunitarismo;
  • Teoria crítica e teorias hegelianas do reconhecimento;
  • Mercado, sociedade civil, economia política;
  • Edição-crítica dos Vorlesungsnachschriften e as novíssimas interpretações;
  • Hegel em face de cosmopolitismo, feminismo, pós-colonialismo;
  • Recepção brasileira (e latinoamericana) de Hegel